A FILA
Como disse, tive sempre uma relação tempestuosa com a fila.
Lembro-me, tinha pouco menos de 30 anos, estava no aeroporto de Orly, torto como sempre, numa fila, e um cidadão norte-americano, com aquele acento característico, me questiona se estava on line ou não.
Com certeza existem pessoas, no Brasil mais ainda, para as quais a fila é um entrave ao exercício de seu poder, um empecilho para a prática do privilégio do qual se consideram merecedores.
Meu problema com a fila não era esse. Começou, devia ter 8 ou 9 anos, quando, na escola, me vi obrigado a estar enfileirado sem entender absolutamente a razão de tal exigência.
Como não atinava o motivo de estar em fila, não conseguia jamais estar devidamente nela.
Ou seja, não conseguia respeitar aquele atributo de linearidade que a fila comporta. Ficava então, quase sempre, deslocado ou mais precisamente, torto, o que era invariavelmente visto, pelas autoridades de plantão, como um ato voluntário de indisciplina, merecedor de punição.
Filas deveriam ser abolidas na Escola?
Ou talvez a proposta mais razoável seria a de uma fila não linear, com as crianças, uma atrás da outra, mas livres, meio tortas?
Texto na voz do autor:

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