MODOS DE PENSAR
Havia, naquele momento, naquele lugar, modos institucionalizados de pensar e de pesquisar, que me eram estranhos.
Acreditei, porém na minha capacidade e acabei, com o tempo, fazendo valer o que pensava e escrevia, porque acreditava que o conhecimento se imporia por sua força intrínseca, afrontando os modos institucionalizados de pensar.
Para mim, pensar e dar visibilidade ao pensamento foram sempre a mesma coisa, a mesma vontade, um quase impulso de extravasar o interno, de trazê-lo, pela escrita, para fora da caixa craniana.
Acredito que talvez esse impulso precoce de produzir o pensamento, de materializá-lo estivesse ligado a uma necessidade de ver-me refletido na escrita, de atestar para mim mesmo e convencer-me de que tinha valia, de que servia.
Gastei anos para convencer-me completamente e, nesse meio tempo, fui me aperfeiçoando.
Com efeito, este pensamento-feito-coisa é a matéria prima que possibilita e exige que, sobre ela, se exerça um trabalho constante de aperfeiçoamento ético e estético e, por que não, pragmático nos seus efeitos.
Com o tempo permaneci gostando de praticar tal aperfeiçoamento.
Como resultado, consegui mostrar, para o outro, um trabalho que acabou sendo a-preciado como coisa pública.
E consegui afastar de mim a descrença, por um bom tempo.
Fico então me perguntando se não devemos ser, nós próprios, nosso mais decisivo juiz, e se lidar com essa dialética eu/outro não é o segredo para ser aceito.
Ou isso não é precisamente o contrário do que fazem os que buscam contabilizar, como indicadores de êxito, os precários afagos dos amigos de internet?
Texto na voz do autor:

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