E O OUTRO?

 


Conheces teu inimigo e conhece-te a ti mesmo; se tiveres cem combates a travar, cem vezes serás vitorioso. Se ignoras teu inimigo e conheces a ti mesmo, tuas chances de perder e de ganhar serão idênticas. Se ignoras ao mesmo tempo teu inimigo e a ti mesmo, só contarás teus combates por tuas derrotas”.

Sun Tzu

 

Aparentemente, sábias palavras, quando transportadas do reino da guerra para o da metáfora.

Não segui, contudo, tais sábios conselhos, tanto num quesito quanto no outro.

Não penso ter alguma vez buscado conhecer meus inimigos, e os tive.

Pelo contrário, não consegui conviver adequadamente com a inimizade, nem com a crítica agressiva e destrutiva.

O que deve ser feito com quem te odeia e te quer destruído?

Exercer o direito de legítima defesa, devolvendo a agressividade, para não ser destruído.

Nunca soube exercê-lo, nem que me cabia tal direito.

A agressividade apenas me deixava - e continua deixando- perplexo, abobalhado, perdido.

Mas, é claro, o outro nem sempre é um inimigo.

A categoria dos não-inimigos comporta duas sub-categorias: os amigos e aqueles que prezamos por identificação ou laços de sangue, por um lado e, por outro, aqueles que desejamos conquistar ou seduzir, para que se transformem em nossos amigos, aliados, admiradores ou até mesmo clientes.

Tenho o forte sentimento que, mesmo sofrendo de desacreditação, resisti à tentação de seduzir e conquistar o outro como forma de superar o descrédito.

Isso não por qualquer disposição moral soberana, mas simplesmente porque não fui treinado ou capacitado, como as crianças que aprenderam a se proteger, nas artes da sedução e da conquista do alheio, ou de sua versão feminina.

Sempre acreditei (como um bobão ingênuo) que, nas diversas circunstâncias da vida cotidiana e profissional, a verdade acabaria por se impor, sem necessidade de artifícios sedutores.

Também não me lembro, de tentar, alguma vez, me impor, como professor, pelo uso de   maneirismos retóricos, tão comuns na atividade docente.

Recordo, com muito humor, do pedido bizarro de um aluno, depois de terminada uma aula, se eu permitia que ele me imitasse.

Sua imitação, caricaturando um gesto meu de puxar o cinto ritualmente para cima, vivenciei como algo absolutamente hilário.

Soubessem os professores o que, em surdina, os alunos falam de seus gestos e tiques, por certo muitas auto estimas desabariam...

Quanto ao conhece-te a ti mesmo, tudo o que contei até agora de minha história mostra que só hoje, depois de velho, posso me considerar razoavelmente bem sucedido neste quesito.

Em suma, não fiz nada que o sábio chinês sabiamente sugeria, mas nem por isso fui derrotado.

Está certo o sábio?

 

Texto na voz do autor:

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