NASCIMENTO DA DESCRENÇA

 

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Não acreditaram em mim.

Por isso, não consegui acreditar,

e continuei não acreditando,

por um bom tempo."

 

Isto não é uma autobiografia.

Caso fosse, poderia, não sem razão, ser taxada, maldosamente, de drama pequeno-burguês.

O que é, então?

Como está no título, é uma experiência de autoanálise pela escrita.

Estou hoje, novembro de 2020, com 74 anos e aposentado.

Filho de uma família paulistana (bastante) culta, de esquerda, e pai de uma família de três filhos, dois enteados e quatro netas, acabei dando corpo a um curriculum vitae respeitável.

Assim sendo, completei uma carreira universitária, virando, ao final, professor titular da Universidade de São Paulo.

Escrevi bastante, fiz livros, inventei (junto com a Ana) muita coisa, enfim dei razoavelmente conta do recado.

Mas houve descrença.

E é de descrença que trato aqui.

De fato, por um bom tempo, fui razoavelmente desacreditado e, bem ou mal, acabei vestindo a carapuça.

A descrença, como quase tudo na vida dos humanos, não existe antes de ser produzida.

Por isso, fui objeto (e sujeito) de um consistente e persistente desejo (inconsciente?) de   desacreditação.

Descrer não foi, dessa forma, um simples estado de espírito, mas, como se verá, um deliberado (ou involuntário?) processo de produção.

Por essa razão achei que valia a pena contar (também para mim) as histórias dessa produção, da qual participei, ativamente.

Contar para entender, entender para socializar

Ressalte-se, en passant, mas com firmeza, que não se trata do gênero: uma história de superação.

Deus me livre deste lugar comum! E do papel de vítima!

Ou é preconceito meu contra histórias de superação?

 

Texto na voz do autor:

 

 



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