O PÂNICO


Minha vida teve na síndrome do pânico um de seus momentos decisivos.

Senti, no meio da rua, uma tarde, era o ano de 82 ou 83, não tinha ainda 40 anos, uma brutal aceleração dos batimentos cardíacos, que me fez quase desmaiar e acreditar que estava infartando.

Tanto que peguei um táxi e me dirigi ao Incor, de onde me mandaram de volta para casa com uma mera glicose na veia para não mais perturbar, com um chilique, o funcionamento normal daquele magno serviço de saúde.

Muito mais tarde, depois de uma via crucis pelas mais diversas especialidades médicas, descobri que o que tinha tido chamava-se crise de pânico.

O pânico, o senti como uma revolta do corpo que, por conta própria, decidiu, num dado momento, assumir a condução do carro, orientando-o para o abismo.

Vivi a síndrome por mais de quatro anos, afogado num mar de medicamentos, ficando muito próximo de perder a batalha contra aquele corpo rebelado.

Só me curei quando você me fez acreditar que eu era capaz de dar conta da tal rebeldia, devolvendo o corpo e a mente a seu devido lugar de instâncias subordinadas à minha pessoa.

Seria o pânico a Grande Doença dos dias de hoje?

 

Texto na voz do autor:

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