O QUE VOCÊ VIU?

 


Cabe a pergunta: quando você me viu, o que viu?

Porque o ser que havia para ser visto, como um dado real, tangível, objetivo, era um homem em frangalhos.

Mas não foi isso que você viu.

Conhecendo-te, e bastante, sei a resposta que você, mulher dotada de forte poder mediúnico, daria a esta pergunta: você viu uma entidade: aquele que foi e continuaria sendo, sempre, até o fim dos dias, seu marido, o homem escolhido,  que o destino fez o favor de te apresentar, naquele momento.

Diversos videntes que consultamos depois, reiteraram esta história.

(Devo confessar que tenho sérias dúvidas sobre todas estas outras dimensões, estes outros planos, mas no primeiro dia que te vi, mesmo sendo avesso a coisas desta ordem, tive a forte sensação que já te conhecia. Déjà vu? Não conseguirei explicar, falta-me competência).

Todavia a tua é uma explicação, singela, que resolve o problema isolando-o na verdade de uma crença; mas, como toda crença, é um recurso simplificador; e a sensação que tenho é que a crença veio depois, como uma forma de cobrir, com uma explicação sobrenatural, aquilo que foi, originalmente, uma intuição.

Penso, na verdade, que você intuiu, escondido atrás de um homem em frangalhos aparentemente enlouquecido, a figura de um ser pensante pedindo passagem, já que seres pensantes são, com frequência, um tanto pensos, desequilibrados, beirando mesmo a insanidade.

 

Texto na voz do autor:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FILA

A MORTE E A MULHER

UM SER PARALELO