ACASO E PRIVILÉGIO


Acho que a vida que busquei retratar aqui é um claro exemplo, de algumas realidades.

Por exemplo, a do privilégio que é crescer e se desenvolver num ambiente culturalmente estimulante, em agudo contraste com a miséria real e humana da maioria dos lares culturalmente deprimentes deste país obscenamente injusto, que é o nosso.

Ficou claro que fui e me considerei fortemente desacreditado, mas não teria sobrevivido se tivesse experimentado semelhante sentimento num lar culturalmente deprimido.

Tive farto material para resgatar-me e lancei mão dele.

Outra realidade é a força do acaso, que pela sua natureza eminentemente incerta, embaralha todas as previsões de sucesso ou mesmo de fracasso.

Minha história é um exemplo disso: sobrevivi graças ao evento aleatório de ter cruzado com seres como Ana Maria, que não são facilmente encontráveis no espaço de uma existência particular.

Pensando na força do acaso, esta minha história deveria ser vista como um contraexemplo?

Por certo o acaso existe e é sempre preciso contar com ele?

Ou deve-se esforçar para não deixar demasiado espaço para sua intervenção?

 

Texto na voz do autor:

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