O ACONTECIDO EM OUTRO MUNDO
Pensando bem, vivi outra vida paralela além daquela já contada, quando te conheci: a dos orixás, dos exus, das coisas da mamãe África.
Foi um choque para alguém vindo da família que era a minha, de mãe judia não praticante nem crente e pai materialista, comunista depois socialista e anticlerical (nesse contexto, ovelha negra de sua família, sobretudo por parte de sua mãe, minha avó, católica até a raiz, por quem eu nutria fortes simpatias, entre outras coisas por sua insuperável maestria no preparo de pasteis de queijo).
Comecei então a frequentar, inicialmente, Centros Espíritas que não me despertaram maior interesse, passando rapidamente para a Umbanda, onde acabei vivendo experiências únicas, completamente novas para mim e que me apresentaram a uma rica e inesperada dimensão da vida humana.
Vale dizer que jamais ofereci qualquer resistência às influências do chamado plano espiritual, como seria de se esperar de alguém vindo de um mundo tão descrente nestas e em qualquer coisa que não na ciência materialista.
Foi uma aparição te ver quanto tua cigana decidia baixar no terreiro, tomando teu ser e teu corpo: uma revelação.
Rodopiavas.
Senti sempre uma saudável inveja desta tua mediunidade, eu que nunca tive muita certeza do que exatamente acontecia comigo quando alguma coisa acontecia, o que não era infrequente.
Lembro-me com força de uma das primeiras experiências minhas, aquela com o Pai de Santo do Centro que frequentávamos, naquela casa de periferia da zona norte da cidade.
O Rogério, que depois acabou virando nosso padrinho de casamento, era uma figura imponente de um homem massudo, de uns quarenta ou cinquenta anos, ser não apenas alemão, de conformação física, mas muito alemão, resplandecente na sua acentuada brancura, que virava vermelhidão quando se exaltava, o que acontecia com frequência.
Rogério chamou-me para que me acercasse e, quando me aproximei o suficiente, senti meu corpo todo puxado por um imã, a força daquele homem empurrando-me para dentro de um campo efetivamente energético, sensação que iria se repetir sempre que adentrasse o espaço sagrado reservado àqueles seres de branco.
Fiquei muito impressionado, e passei a aceitar o plano supra real pela via mais direta e adequada possível, aquela completamente afastada de qualquer coisa que lembrasse a racionalidade cartesiana.
Senti que tais coisas existiam, porque aconteciam.
Como naquela sessão em que estava sentado bem perto do espaço sagrado quando, sem qualquer aviso prévio, uma energia brotou de algum lugar e o colar de conchas, que portava galhardamente, simplesmente estourou, sendo as conchas atiradas para longe.
Lembro-me, em outra sessão, ter visto num homem na minha frente, tendo baixado nele algum poderoso exu, uns olhos muito avermelhados, sanguíneos mesmo
No fundo eu poderia ser considerado uma testemunha neutra daquelas e de muitas outras coisas do gênero, acontecidas nos Centros. Porque não estava previamente sugestionado.
Nesse meio tempo, decidi jogar as cartas do Tarot obtendo, ao longo do tempo, sucesso nas leituras.
Também surgiu em nossas vidas uma vidente poderosa, a Marli, que mexia objetos à distância e que era dotada de poderes telepáticos.
Um sem número de coisas aconteceram e eu pude acrescentar à minha vida um universo supra natural, sobre o qual não cabe acreditar ou desacreditar.
Apenas deixar acontecer?
Texto na voz do autor:

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